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O poder da interação na atividade de auditoria interna

Wendel Abreu | Publicado sab 27 Jul 2019, 18:41 | 501 Visto

Apesar de independência e autoridade serem atributos indispensáveis para o desempenho da atividade de auditoria interna, não há mais espaço para o antiquado espírito impositivo, nem para o desenvolvimento de trabalhos de modo isolado ou distanciado das partes interessadas. Esse tipo de postura pode resultar em ações de baixa efetividade, ainda que tecnicamente perfeitas, pois acabam se perdendo em meio às prioridades da administração sem representar qualquer melhoria nos processos e nas operações organizacionais.

Não é difícil perceber que passou o tempo em que o auditor interno era um examinador solitário de registros e documentos, que tinha a imagem de um militar de alta patente e uma sede pela detecção de fraudes e inconformidades. Hoje, o sucesso do processo de auditoria depende muito mais da forma como os profissionais se comunicam com as partes interessadas, bem como da adoção de uma abordagem colaborativa visando o levantamento de questões relevantes de serem exploradas e a construção de progressos que agreguem valor.

Essa capacidade de interação tem sido um dos requisitos mais importantes para a carreira dos profissionais de auditoria interna e tem representado uma transformação de perfil, que exige cada vez mais o desenvolvimento de competências comportamentais, além de uma aproximação maior com o negócio, possibilitando o entendimento do que está acontecendo no ambiente corporativo mediante um posicionamento positivo e carismático em prol de relacionamentos pautados na confiança e respeito mútuos.

Os relacionamentos internos e externos se tornaram fatores críticos de sucesso para o entendimento do negócio, assim como para o acompanhamento das mudanças, dos riscos emergentes e das principais tecnologias e inovações disponíveis no mercado. Entretanto, os relacionamentos são valiosos por muitos outros motivos, já que a auditoria interna precisa conciliar expectativas das mais diversas partes interessadas, sendo o consenso facilitado quando há um relacionamento sólido e um bom processo de comunicação, que por sua vez precisa ser feito pessoalmente e não só por meio de documentos e mensagens escritas.

A atividade de auditoria interna existe para servir as organizações, sendo essencial entender as necessidades e pontos de vista das partes interessadas. Para tanto, a adoção de uma abordagem interativa e colaborativa em todas as atividades e processos de Auditoria Interna potencializa o alcance dos seguintes benefícios:

  1. Ampliar a conscientização das partes interessadas em relação ao propósito e independência necessária para o desempenho da atividade de auditoria interna;
  2. Reduzir lacunas, duplicação de esforços e conflitos em potencial dentro das três linhas de defesa;
  3. Ser reconhecido como assessorar de confiança e participar de discussões relevantes como educador, agente de mudança, líder pela técnica e pelo exemplo.
  4. Realizar trabalhos complexos, compartilhar experiências e complementar competências através de parcerias;
  5. Direcionar os trabalhos de auditoria para temas estratégicos, questões que preocupam a administração e riscos emergentes não contemplados no sistema de controle.
  6. Qualificar o escopo e a seleção dos trabalhos de auditoria visando melhorar os processos de negócio e colaborar com a solução de problemas considerados críticos;
  7. Obter entendimento e comprometimento das partes interessadas para o atendimento das solicitações e dos prazos, bem como com os trabalhos de auditoria;
  8. Alcançar maior aceitação dos resultados dos trabalhos de auditoria e efetividade no cumprimento das recomendações;
  9. Maior assertividade e agilidade na coleta de dados e informações para os trabalhos de auditoria;
  10. Aprimorar a identificação da causa raiz das fragilidades identificadas, qualificar as recomendações e induzir a adoção de boas práticas.
  11. Comunicar de forma tempestiva e inovadora as fragilidades identificadas visando alcançar o entendimento das partes interessadas e comprometimento com a solução.
  12. Apoiar a desburocratização do negócio, ajudar a simplificação de processos, eliminar controles e rotinas que não agreguem valor.
  13. Ser reconhecido pelo valor agregado, benefícios financeiros e não financeiros decorrentes dos trabalhos de auditoria;


Esse tipo de abordagem também possui seus próprios percalços, considerando que a atividade de auditoria interna, por natureza se posiciona em meio a objetivos, opiniões e preocupações divergentes, precisando conviver com relacionamentos que ameaçam sua independência. Por isso, é preciso preparo para lidar com conflitos de forma madura e equilibrada, deixando claro para a administração que em caso de divergências, o assunto sempre será escalonado para o próximo nível organizacional.

Reconhecer que o mundo mudou e que os profissionais de auditoria interna só poderão se manter no mercado se acompanharem as evoluções tecnológicas é uma realidade sem volta, no entanto isso não quer dizer que as interações diminuirão, pelo contrário restará mais tempo para enriquecer as opiniões e conclusões de auditoria, bem como para prestar serviços de consultoria e assessoria  que dependem fortemente de competências comportamentais.  

Além disso, é essencial manter a atividade de auditoria interna aberta à inovação e à adoção de boas práticas provenientes de outros campos de conhecimento como os programas de mentoria e de coaching, o método design thinking, os princípios ágeis e outras fontes de referência tanto para o desenvolvimento da equipe de profissionais, quanto para evolução do processo de auditoria, afinal nunca se é bom demais que não se pode aprender algo novo.

Para saber o poder da interação na atividade de auditoria interna é preciso estar sempre um passo a frente não somente para entender as necessidades e expectativas das partes interessadas, mas também para entregar opiniões e resultados de valor para a organização. A interação tem a capacidade de potencializar e viabilizar o cumprimento pleno do propósito da auditoria interna e ter isso reconhecido por quem de fato importa, as partes interessadas.

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